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Parashot veH'agimO mês de Av 5762 |
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"E será que de mês em mês" (Isaías 66:23) Palestras sobre os meses do calendário judaico O mês de Av Simcha Raz O mês de Av é o décimo primeiro mês do calendário judaico na contagem a partir da Criação do mundo, e o quinto na contagem a partir da saída do Egito. O nome "Av" não é mencionado na Bíblia; seu nome em assírio era "A-bu", e há quem sugira ser esta uma redução do nome "Abu Sareni", que significa "o mês das colheitas". No calendário do agricultor hebreu, encontrado nas escavações de Guezer, o mês é denominado "a lua [o mês] do verão" (colheita das frutas do verão). O mês de Av era um dos seis meses nos quais partiam enviados do Beit Din (tribunal religioso) de Jerusalém para avisar aos judeus da Diáspora qual fora o dia estipulado pelo Sanhedrin como início do mês (Rosh Chodesh), para que pudessem cumprir na data certa o jejum de 9 de Av. No passado remoto, o mês de Av era considerado um bom mês, por ser a época da colheita da uva e das primícias das frutas do verão. Com o passar dos tempos, porém, ocorreram neste mês muitas desgraças e infortúnios, e ele tornou-se um mês de luto e tristeza, conforme definiram nossos sábios: "Quando começa o mês de Av, diminui a alegria". Por isso, acrescentaram a seu nome o adjetivo "consolador" (Menachem Av): que possamos alcançar o consolo e a redenção, e que nosso sofrimento se transforme em júbilo. Trata-se ainda de uma alusão ao nome do Messias, que é Menachem, e que, segundo a tradição, nasceu no dia em que o Templo foi destruído (9 de Av). Durante os nove primeiros dias de Av não comemos carne, não bebemos vinho nem realizamos nenhum festejo, inclusive casamentos. Há muita gente que já adota esses costumes de luto a partir de 17 de Tamuz. Os dias entre 17 de Tamuz e 9 de Av são chamados "os dias de angústia" ou "as três semanas". O sábado que antecede o dia 9 de Av é chamado "o sábado da calamidade", lembrando as desgraças que sofreu o Povo de Israel neste mês; e o sábado posterior a 9 de Av é conhecido como "o sábado do consolo", por causa da Haftará que é lida neste dia, e que começa com as palavras: "Consolai, consolai o Meu povo" (Isaías 40:1). A partir daí contam-se "sete sábados de consolação". A única festa que o Povo de Israel celebrava no passado remoto no mês de Av era o dia 15 de Av, quando as jovens da Judéia vinham dançar nos vinhais; os rapazes solteiros vinham, então, escolher uma noiva entre elas. Assim diz Rabi Shimon ben Gamliel: "Não havia dias melhores em Israel do que o 15 de Av e o Yom Hakipurim, quando as jovens de Jerusalém saem com vestes brancas emprestadas, para não envergonhar aquelas que não possuem uma" (Tratado Taanit IV 5). O costume de vestir roupas emprestadas tinha por objetivo anular as diferenças de classe social ou econômica. Foi em 15 de Av que Oséias filho de Elá retirou os sentinelas que Jeroboão filho de Nebate havia colocado nos caminhos, a fim de impedir que os habitantes do Reino de Israel fizessem peregrinação a Jerusalém. Tais sentinelas tinham sido colocados por Jeroboão, Rei de Israel, por recear que o outro reino ? o de Judá ?aproveitasse a presença dos peregrinos, tornando-se mais poderoso do que Israel. Os sentinelas, portanto, impediam à força que o povo fosse ao Templo em Jerusalém; ao mesmo tempo, Jeroboão tentou criar substitutos do Templo, e colocou duas imagens de bezerro, uma em Dan e outra em Beit-El. Dessa maneira a divisão em dois reinos tornou-se um fato consumado, o que causou a disseminação da idolatria. O último dos Reis de Israel, Oséias filho de Elá, retirou os sentinelas no dia 15 de Av, deixando livre para os peregrinos o caminho a Jerusalém, trazendo a reconciliação entre as duas partes do povo. O signo do mês O signo de Menachem Av é Leão, o rei dos animais. Acontecimentos do mês de Av 1 de Av Morte de Aarão, o sacerdote, conforme está escrito em Números 33:38: "E subiu Aarão, o sacerdote, ao monte de Hor, por mandado do Eterno, e morreu ali, no quinto mês do quadragésimo ano da saída dos Filhos de Israel da terra do Egito, no primeiro do mês". Retorno a Sion (458 a.C.) ? Esdras, o escriba, chega a Jerusalém (Esdras 7:9). 4 de Av Neemias inicia a reconstrução da muralha de Jerusalém. 7 de Av de 5660 (1920) Fundação do Keren Hayessod 9 de Av Destruição do Primeiro Templo, no ano 3174 (586 a.C.) e destruição do Segundo Templo, no ano de 3828 (68 d.C.). É dia de luto e jejum pela destruição do Templo: "Queimaram a Casa de Deus, e derrubaram os muros de Jerusalém; todos os seus palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos objetos. Os que escaparam da espada, a esses levou ele para Babilônia" (II Crônicas 36:19- 20). O jejum de 9 de Av é chamado na Bíblia "o jejum do quinto mês". A Mishná diz: "Cinco desgraças ocorreram a nossos antepassados em 9 de Av: a 'geração do deserto' recebeu o castigo de não entrar na Terra de Israel (por causa dos espiões que caluniaram a Terra de Israel); o Primeiro e o Segundo Templo foram destruídos; a cidade de Betar foi conquistada e a cidade de Jerusalém arrasada" (Tratado Taanit IV 6). Expulsão dos judeus da Inglaterra (5050 ? 1290). Expulsão dos judeus da Espanha (5252 ? 1492). Os judeus de Roma são transferidos para o gueto (5315 ? 1555). Início da 1ª Guerra Mundial (5674 ? 1914). 10 de Av (1306) Expulsão dos judeus da França. 15 de Av A "geração do deserto" ? os hebreus que saíram do Egito ? foram condenados a morrer no deserto, por causa do pecado dos espiões (Números, capítulos 13-14). Os soldados de Bar Cochbá que caíram na luta pela defesa de seu último baluarte, Betar, foram finalmente enterrados (os romanos haviam proibido anteriormente seu enterro, e nesta data mudaram sua decisão). Este acontecimento encerra um duplo milagre: a autorização para os mortos serem enterrados, e o fato de que os cadáveres terem-se mantido conservados, embora tivessem permanecido no campo da batalha (135 d.C.). Fundação do Congresso Judaico Mundial, para a proteção dos direitos do judeus em todo o mundo, a luta contra o anti- semitismo e a união do Povo de Israel (5696 ? 1936). 16 de Av de 5689 (1929) Início de sangrentos distúrbios em Eretz Israel (provocados pelos árabes). 18 de Av A lâmpada perene (Ner Tamid) do Templo apagou-se, no tempo do Rei Acaz, e isto foi considerado um mau sinal. 22 de Av de 5709 (1949) Os restos mortais de Theodor Herzl foram trasladados a Jerusalém, sendo sepultados no alto da colina que passou a chamar-se "Monte Herzl". 24 de Av Os hasmoneus saíram vitoriosos e novamente passaram a ser cumpridas as leis da Torá; por causa disso nossos sábios estabeleceram ser este um dia de festa. 25 de Av de 5718 (1958) Realizou-se em Jerusalém o primeiro Certame Bíblico (Chidon HaTanach) oficial. Amós Chacham foi o primeiro Campeão Bíblico de Israel. 28 de Av Moisés desceu do Monte Sinai e quebrou as Tábuas da Lei. No dia seguinte, subiu novamente ao Monte Sinai e recebeu pela segunda vez as Tábuas da Lei. A personalidade do mês Aarão, o sacerdote, que faleceu em 1 de Av Aarão foi o primogênito de Amram filho de Kehat e de Iocheved, da tribo de Levi, e irmão de Moisés e Miriam. Foi o principal ajudante de Moisés durante a saída dos hebreus do Egito e na liderança do povo em suas andanças no deserto. Desde o início da missão de Moisés, foi seu porta-voz diante do povo. Aarão e seus filhos foram escolhidos por D'us para serem sacerdotes, servindo no Tabernáculo. Aarão foi o primeiro Sumo Sacerdote, e todos os sacerdotes que serviram no Templo depois dele são denominados Filhos de Aarão. Por ocasião da rebelião de Coré e sua congregação, foi a vara de Aarão que deu brotos, dentre todas as varas das tribos de Israel, num sinal de que Aarão e sua descendência tinham sido os escolhidos como sacerdotes para todo o sempre. De seus quatro filhos: Nadab, Abiu, Elazar e Itamar, os dois primeiros (Nadab e Abiu) morreram ainda em vida do pai, ao acenderem um fogo estranho diante do Eterno. Aarão é considerado pela tradição rabínica como a personificação da piedade e do espírito da paz: "Ama a paz e procura a paz, ama as criaturas e aproxima-as da Torá" (Avot I 12) Seu maior pecado foi condescender com a exigência do povo, permitindo que fosse feito o bezerro de ouro, pois o povo estava impaciente com a demora de Moisés em descer do Monte Sinai. Quando Aarão e Moisés, no deserto de Tsin, receberam a ordem de falar com a rocha para que dela brotasse água, e eles, ao invés, golpearam a rocha com o cajado, Aarão recebeu também o castigo de não entrar na Terra de Canaan. Aarão morreu no Monte Hor, na fronteira de Edom, no quadragésimo ano da saída do Egito, com a idade de 123 anos. Depois de sua morte, seu filho Elazar foi nomeado Sumo Sacerdote. A história do mês Rabino Chaim HaLevi Soloveichik, que faleceu em 21 de Menachem-Av de 5678 (1918) na cidade de Brest-Litovsk, na Lituânia A casa do Rabino Chaim HaLevi Soloveichik, rabino de Brest-Litovsk, estava sempre aberta aos pobres e amargurados. Quem quer que estivesse sofrendo, ou enfrentando uma situação difícil, podia vir ao rabino e contar-lhe suas mágoas. Rabi Chaim consolava os aflitos e os reconfortava, dava-lhes conselhos e até mesmo ajuda financeira. Uma vez, entrou em sua casa uma jovem, que lhe disse num cochicho que tinha um segredo para contar. Rabi Chaim pediu que todos os presentes saíssem da sala; assim que todos saíram, a jovem rompeu em pranto. Contou-lhe que tinha-se deixado seduzir por um homem desonesto, e que estava grávida e não sabia o que fazer. Rabi Chaim contemplou aquela jovem filha de Israel, tão desesperada, falou-lhe com carinho e acalmou-a. Antes de despedir-se dela, deu-lhe algum dinheiro para que pudesse sustentar-se durante a gravidez, e disse-lhe que viesse a ele com o bebê, tão logo nascesse. A moça prometeu que lhe entregaria o nenem, pessoalmente, e que ninguém saberia do ocorrido. Passaram-se alguns meses; um dia, tarde da noite, quando o rabino estava só em sua sala estudando Torá, ouviu que batiam de leve à sua porta. Ao sair para ver quem era, encontrou a jovem que o procurara, com o bebê nos braços. Tomou-lhe o bebê, acalmou-a, e disse-lhe que seguisse seu caminho. Depois disso, acordou sua esposa, pedindo-lhe que cuidasse do bebê. Pela manhã mandou chamar uma ama-de-leite, combinou com ela o preço e entregou-lhe a criança, para que a alimentasse e criasse. Depois disso, o rabino encontrou mais de uma vez à porta de sua casa bebês abandonados; para todos encontrava uma ama, a quem pagava de seu próprio bolso. Certa vez, um bebê foi abandonado na porta de um dos judeus mais ricos da cidade. Quando rabi Chaim soube disso, mandou chamar o ricaço e disse-lhe: - O senhor deve saber que é uma grande mitzvá criar as crianças abandonadas. Eu mesmo a venho praticando há muito tempo. Porém agora, tendo o senhor sido o escolhido para receber esse privilégio, não quero retirar-lhe o direito a essa boa ação, mas gostaria de repartir a mitzvá com o senhor. Por isso, proponho dividir com o senhor o pagamento da ama: metade o senhor, metade eu ?
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